Ando sentindo que sou inútil. Se alguém "ler" minha vida de fora irá achar que sou folgada, não tenho estabilidade em nenhum aspecto da minha vida, não crio laços profundos, sou superficial e exagerada. Meu jeito de boa e educada deve ser uma máscara social e meu verdadeiro eu é aquele que gosta de true crimes e músicas depressivas. Mas ouço as músicas depressivas para chamar atenção e nos momentos solitários sou insensível.
Perto dos 40 não sei quem eu sou. Sou quem eu me esforço para ser ou sou quem tento não ser. Luto com a vontade de morrer e tento encontra alegria em tudo e todos. Gosto de ver e ouvir as pessoas, mas relacionamentos são desafiadores para mim, sempre sou deixada para trás e não quero sentir isso. Acreditar que sou mesmo um lixo, um fantasma na vida dos outros. E quando as pessoas se aproximam de mim por interesse... querendo a vida que levo, querendo comer, sair e passear com meu dinheiro (que já é pouco)? Acham que eu tenho muito, mas não sabem que vivo economizando, contando, pesquisando e pechinchando. Gosto de comprar, mas gastar dinheiro me frusta. Tenho medo de precisar no futuro e não ter e sinto-me desconfortável quando gastam comigo, quando preciso de ajuda financeira.
Como vi num documentário, a plenitude da felicidade acabou e tento ser feliz o tanto que dá, mas plenamente não dá mais.
Nem sei quem eu quero ser. Meus sonhos não podem ser realizados e todos meus outros desejos são superficiais.
Ando muito deprimida e ansiosa. Tive crise de pânico e os pensamentos suicidas voltaram. Não falo sobre eles, falar sobre como me sinto parece tentativa de ser o centro das atenções. Quem se importa comigo tem seus próprio problemas, que eu, infelizmente, não ajudo, e ficariam preocupados comigo. Não tenho esse direito. Quero os meus felizes e amados e sem se preocupar com o que não tem solução.
A maioria das pessoas irão rir do meu sofrimento ou nem ligar, acho que a maioria nem ligaria e alguns falariam que eu mereço e deveria parar de queixas.
Minhas maiores conversas tem sido com podcasts. Converso com as pessoas que se abrem, quero abraça-las e dizer que sei como se sentem. Sinto mais compaixão pelos outros do que por mim e isso é tão hipócrita que me dá vergonha.
O ano todo fico imaginando se irei conseguir não me matar. Penso na bagunça, no trabalho e na culpa que os meus podem sentir e não quero isso para eles. Nunca. Queria ser motivo de alegria e orgulho, mas sou motivo de vergonha e raiva e isso não tenho como mudar. Queria ser alegria e amor e sou cansaço e culpa. Quem eu amo sente raiva, vergonha e esgotamento com minha existência. Evito ficar perto deles para não fazer esse mal e quando não posso evitar, sinto muita culpa, remorso, tristeza e vergonha. Muito.