quarta-feira, 17 de agosto de 2022

 Ando sentindo que sou inútil.  Se alguém "ler" minha vida de fora irá achar que sou folgada, não tenho estabilidade em nenhum aspecto da minha vida, não crio laços profundos, sou superficial e exagerada. Meu jeito de boa e educada deve ser uma máscara social e meu verdadeiro eu é aquele que gosta de true crimes e músicas depressivas. Mas ouço as músicas depressivas para chamar atenção e nos momentos solitários sou insensível. 

Perto dos 40 não sei quem eu sou. Sou quem eu me esforço para ser ou sou quem tento não ser. Luto com a vontade de morrer e tento encontra alegria em tudo e todos. Gosto de ver e ouvir as pessoas, mas relacionamentos são desafiadores para mim, sempre sou deixada para trás e não quero sentir isso. Acreditar que sou mesmo um lixo, um fantasma na vida dos outros. E quando as pessoas se aproximam de mim por interesse... querendo a vida que levo,  querendo comer, sair e passear com meu dinheiro (que já é pouco)? Acham que eu tenho muito, mas não sabem que vivo economizando, contando, pesquisando e pechinchando. Gosto de comprar, mas gastar dinheiro me frusta. Tenho medo de precisar no futuro e não ter e sinto-me desconfortável quando gastam comigo, quando preciso de ajuda financeira.  

Como vi num documentário,  a plenitude da felicidade acabou e tento ser feliz o tanto que dá, mas plenamente não dá mais.


Nem sei quem eu quero ser.  Meus sonhos não podem ser realizados e todos meus outros desejos são superficiais. 

Ando muito deprimida e ansiosa. Tive crise de pânico e os pensamentos suicidas voltaram.  Não falo sobre eles, falar sobre como me sinto parece tentativa de ser o centro das atenções.  Quem se importa comigo tem seus próprio problemas, que eu, infelizmente,  não ajudo, e ficariam preocupados comigo. Não tenho esse direito.  Quero os meus felizes e amados e sem se preocupar com o que não tem solução. 

A maioria das pessoas irão rir do meu sofrimento ou nem ligar, acho que a maioria nem ligaria e alguns falariam que eu mereço e deveria parar de queixas.


Minhas maiores conversas tem sido com podcasts. Converso com as pessoas que se abrem, quero abraça-las e dizer que sei como se sentem. Sinto mais compaixão pelos outros do que por mim e isso é tão hipócrita que me dá vergonha. 

O ano todo fico imaginando se irei conseguir não me matar. Penso na bagunça, no trabalho e na culpa que os meus podem sentir e não quero isso para eles. Nunca. Queria ser motivo de alegria e orgulho, mas sou motivo de vergonha e raiva e isso não tenho como mudar. Queria ser alegria e amor e sou cansaço e culpa. Quem eu amo sente raiva, vergonha e esgotamento com minha existência. Evito ficar perto deles para não fazer esse mal e quando não posso evitar,  sinto muita culpa, remorso, tristeza e vergonha. Muito.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

 Pode ser o fim de ano, estou terrivelmente depressiva. Penso em morte e mutilação, será que diminuiria minha dor?

Não sei se estou sem esperanças, já não tenho há alguns anos, só tenho vontades, vontades possíveis e positivas, mas não esperança.

Meu peito dói, não consigo engolir meus olhos ardem e caem lágrimas pesadas e tristes.

Por quê? Sei lá. A vida tem me apertado e espremido e só sai lágrimas e dói. Sinto vergonha e culpa. Fico isolada e tento não mostrar para não contaminar os outros com meu drama. Mas, sinto o vazio e a solidão. Solidão, vergonha, medo e tristeza doída.

Queria poder relaxar e me divertir, mas me sinto culpada. Não tenho cumprido meus deveres e ainda quero descansar? Sou uma vagabunda que não serve para nada e talvez, sem mim seria mais fácil.

Quem gosta de mim iria sofrer e se culpar, não quero isso. Mas quem não me quer seria livre sem meu fantasma e eu não tenho direito de existir para ser tão maltratada, desprezada, humilhada e motivo de escárnio e asco.

Sou um peso até para quem amo, minha tristeza deixa eles nervosos e já ouvi que deveria ter conseguido morrer das outras vezes.

Pensei que escrever ia esvazia minha mente desses pensamentos, torna-los concretos e reduzidos a letras. Já não sei como melhorar.

De verdade, queria ter suporte e apoio, queria ficar bem, mas não consigo sozinha e é essa é minha desesperança. Não tenho alguém para dividir meu fardo e isso é assim e não mudará sem uma tragédia. A morte é mesmo uma tragédia ou só um recomeço? Não quero ambas, antes eu carregar esse sofrimento do que os outros, até aqueles que me odeiam.

Queria uma abraço forte e protetor, ajuda, ajuda de verdade, não só discursos inspiradores (não acredito neles).

Não tem remédio para o que sinto, já falei com meu médico e o que existe já tomo. Todo fim de ano fico assim, sinto saudade da felicidade, das pessoas que amava e admirava e que me amavam e admiravam meu amor.

Odeio a bagunça em que vivo, onde nada é meu e não posso mexer. Odeio ser responsável e culpada por tudo,precisar passar recados sem citar o emissor. Precisar sorrir porque todos são doentes e suas doenças são piores que a minha. Por que eu reclamo tanto?

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

 Quero ir embora. Quero ser salva. Quero ajuda, abraços, risos e segurança. Não aguento mais.

 Dia difícil. Humilhada. Ouvi muito de todos, ouvi que eu sou ridícula, errada e irritante. Só por fé continuo, não queria mais. Hoje tive diversos pensamentos ruins. Chorei sozinha, senti vergonha e solidão. Por quê? Para quê?


quinta-feira, 28 de outubro de 2021

 Sim. Estou muito triste e sozinha. Muito.

 Não sei quanto tempo vou aguentar sem surtar de vez. Sozinha. Cansada e triste. Não posso falar sobre isso para não ser tratada como sedenta de atenção, mas estou sozinha. Queria ajuda, um abraço e alguém para me amar e ajudar. Já nem sonho com isso, porque iria exigir tanto se não ofereço algo valioso. Não tenho muita serventia, necessidades e obrigações, tenho. Cadê minha alegria de viver? Cadê o amor? Amor de escuta, entendimento e toque? Resignei. Sei que não é para mim e queria parar de me lamentar por não ter o que não posso. Triste.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

 Sinto uma angústia enorme. Vontade de vomitar ou me ferir. Desejos e sonhos estranhos, zumbis, apocalipse e fantasias.

Queria ser melhor, ter escolhas e possibilidades, não medo e vergonha.

O que sinto ninguém vê, disfarço bem com fugas e sorrisos, finjo que não sofro e que tenho esperança. 

Não conto.