Passei a tarde sem energia e desconsolada.
Já de noite, assisti a um documentário sobre Kurt Cobain. Nunca dei muita bola para ele, bonito demais, popular e rico demais. Músicas de depressivas e adolescentes (como se não fossem as características e tudo que ouvia no começo deste século).
Ontem vi Kurt pela primeira vez, eu vi o que ele via, sei o que sentia porque é o que senti durante minha vida. Rejeição, inadequação, expectativa, frustração. A dor e a tristeza de não ser visto. De ser ofuscado por nossa história e aparência.
Um mergulho tão fundo em onde nós estamos de verdade. Não conseguimos mais voltar, o exterior é raso e não nos comporta mais, não suporta nosso peso, não entende nosso idioma. Convidamos a todos que venham nos ver mas ficamos sozinhos. Eles vem sentam, olham, falam e vão embora. Não compartilham nossa refeição, não bebem o que oferecemos, não inalam nossos perfumes. Dizem que foi agradável, realmente acham agradável. O pouco. O que somos é excessivo, desnecessário. Pra quê gritar? Você chora à toa e é esquisita. Tenho minha vida e meus problemas, para de encher o saco, não preciso disso!
Sinto saudade da beleza, do agradável e supérfluo. Etiqueta, cortesia, sorrisos, cordialidade, quando tudo isso me enchia e me fazia dormir. Risadas, educação, elogios, beleza. Raso.
Por que fui tão fundo?
